A situação do Santos ganha contornos dramáticos a cada rodada. O reflexo mais recente dessa fase turbulenta aconteceu no Campeonato Paulista, onde o Peixe amargou uma dura derrota por 2 a 0 para o São Paulo. Logo no início do segundo tempo, a estrutura defensiva santista ruiu. Aos seis minutos, Gonzalo Tapia aproveitou o espaço pelo lado direito da grande área e finalizou com precisão para abrir o placar. O golpe fatal veio de forma rápida. Apenas cinco minutos depois, Luciano, acionado pela esquerda, balançou as redes. O lance ainda passou por uma tensa revisão do VAR, que acabou confirmando o segundo gol tricolor e frustrando qualquer tentativa inicial de reação.
Tentativas frustradas e domínio rival Mesmo com as mudanças táticas, a equipe alvinegra se mostrou inofensiva durante boa parte do clássico. Nomes como Rony e Álvaro Barreal esbarraram repetidamente na forte marcação e nas defesas sólidas do São Paulo. O banco de reservas foi acionado na tentativa de mudar a história do jogo, promovendo as entradas de Lautaro Díaz, Mayke e Gonzalo Escobar. Este último, inclusive, logo recebeu um cartão amarelo por uma entrada perigosa, ilustrando o nervosismo da equipe. Do outro lado, o Tricolor apenas controlou a reta final da partida. Com Lucas Moura e Pablo Maia ditando o ritmo no meio-campo, além de uma zaga firme que suportou as raras investidas santistas, os donos da casa garantiram o resultado até o apito final aos 50 minutos.
O retorno de Cuca e o fantasma do rebaixamento Esse baque no clássico apenas acentua a crise que transborda também para o Campeonato Brasileiro. Sem vencer há quatro partidas na Série A, a diretoria precisou agir. Juan Pablo Vojvoda não resistiu à sequência de atuações apáticas e deixou o comando do time. Para o seu lugar, a aposta foi em um velho conhecido: Cuca. O experiente treinador retorna com a missão urgente de reorganizar a casa e extrair potencial de um elenco que tem qualidade, mas não consegue entregar resultados em campo. Atualmente, o Santos amarga a 16ª posição com míseros sete pontos em oito jogos. É uma margem assustadora de apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. Com dez gols marcados e treze sofridos, o desequilíbrio entre os setores reflete a dificuldade de manter a consistência ao longo dos 90 minutos.
Um adversário com seus próprios demônios A próxima chance de redenção está marcada para a noite desta quinta-feira, no Estádio Urbano Caldeira. O compromisso, válido pela nona rodada do Brasileirão, traz à Vila Belmiro um Remo que também tenta juntar os cacos, embora desembarque no litoral paulista com o ânimo levemente renovado após conquistar sua primeira vitória na competição na rodada passada. Ainda assim, a realidade do clube paraense é muito delicada. A equipe ocupa a penúltima colocação, somando apenas seis pontos. A defesa tem sido um problema crônico, figurando como a terceira pior de todo o torneio, com 15 gols sofridos.
Confronto de desesperados Nos bastidores, o Remo enfrenta instabilidades semelhantes às do seu adversário paulista. O vice-campeonato no torneio estadual não foi suficiente para abafar os atritos internos, o que culminou na demissão de Juan Carlos Osorio. Léo Condé, que levantou a taça da Série B pelo Vitória em 2023, assumiu a prancheta para tentar mudar a rota. O impacto inicial, porém, ficou abaixo do esperado, com apenas um triunfo em seis jogos disputados entre o Brasileirão e a Copa Verde. Para o Santos, a esperança de iniciar uma recuperação passa por usar a pressão da Vila Belmiro a seu favor e se apegar ao histórico esmagador do confronto. Em sete partidas disputadas na história, o Peixe venceu seis e empatou uma, mantendo 100% de aproveitamento jogando em casa contra o time do Pará. O último encontro, uma goleada por 4 a 0 na Copa do Brasil de 2010, serve como uma lembrança distante para uma equipe que hoje precisa, acima de qualquer coisa, voltar a vencer para afastar o fantasma da Série B.




