A noite no FedExForum foi daquelas que beiram o surreal. O Memphis Grizzlies, uma franquia que ainda persegue o gosto do seu primeiro título, acabou gravando o nome na história da NBA de um jeito que ninguém imaginava — e, curiosamente, sem o cara do time em quadra. Com o armador Ja Morant de molho por causa de uma lesão no joelho, a equipe do Tennessee simplesmente engoliu o Oklahoma City Thunder em um sonoro 152 a 79. Uma diferença absurda de 73 pontos. Para colocar as coisas em perspectiva: essa é a maior surra aplicada em 75 anos de existência da liga.
Basquete Coletivo e o Baile dos Reservas
O que os mais de 18 mil torcedores presentes viram foi o puro suco do jogo coletivo. É até bizarro pensar que, em um placar tão elástico para os padrões da NBA, o cestinha da partida, Jaren Jackson Jr., guardou “apenas” 27 pontos. A mágica da noite aconteceu na fluidez da rotação de Memphis.
Dez jogadores anotaram dígitos duplos na pontuação, a equipe flertou com 60% de aproveitamento nos arremessos e absolutamente todos os 15 atletas que pisaram em quadra pontuaram. O banco de reservas parecia jogar em outro nível de rotação, contribuindo com assustadores 93 pontos. O clima de euforia era inevitável. Taylor Jenkins, técnico dos Grizzlies, resumiu a performance como uma exibição completa, impecável tanto na criação ofensiva quanto na retranca defensiva. O armador De’Anthony Melton, vindo do banco, deu a letra sobre o sentimento do vestiário:
“Cara, é muito bom entrar para os livros de história, ainda mais fazendo isso na frente da nossa torcida.”
O atropelo derrubou um recorde que estava intacto há três décadas. A última vez que a liga viu algo perto disso foi em 1991, quando o Cleveland Cavaliers bateu o Miami Heat com uma margem de 68 pontos (148 a 80).
Do outro lado, o clima era de velório. O Thunder já foi para o intervalo tomando o dobro de pontos (72 a 36), e o técnico Mark Daigneault não escondeu o baque. Claramente frustrado, ele admitiu que o time perdeu totalmente as rédeas da situação, sendo dominado pela força e pelo ritmo frenético de Memphis do início ao fim, sem conseguir controlar uma única posse de bola.
O Fator Ja Morant: Dá pra Sonhar Sem Ele?
Mas é aí que entra o grande elefante na sala. Se os Grizzlies são capazes de amassar um adversário dessa forma sem o seu franchise player, qual é o real peso de Ja Morant no futuro da franquia?
Quando a conversa muda de vitórias em temporada regular para a verdadeira briga por um anel de campeão, o sarrafo sobe. No programa Yahoo Sports Daily, ancorado por Caroline Fenton e Justin Walters, o ex-jogador da NBA Rudy Gay foi direto ao ponto ao analisar a situação. Para ele, não há debate: não existe caminho para o título sem o camisa 12.
Gay argumenta que Morant é o coração e a alma dessa equipe. A saúde dele e a sua disponibilidade em quadra são o motor que dita até onde a franquia pode chegar. No mundo corporativo da NBA, sempre surgem rumores sobre trocas e o futuro de grandes astros, mas a lógica de mercado aqui é brutal. Você só negocia um talento geracional se o retorno for algo igualmente espetacular.
Se a diretoria não conseguir arrancar de outra equipe um pacote que entregue o mesmo impacto, o único plano de ação inteligente é abraçar o cara. A missão passa a ser ajudá-lo a se manter o mais saudável possível e montar a melhor estrutura ao seu redor. Afinal, Ja tem aquele nível de grandeza que muda o teto de um time nos playoffs. A vitória por 73 pontos prova que o elenco de apoio é formidável, mas é a magia de Morant que separa um time bom de um verdadeiro candidato ao título.
A Máquina de Phoenix
Enquanto Memphis roubava as manchetes com o massacre, o Phoenix Suns fez história na base da consistência pura. Os atuais vice-campeões continuam sobrando na temporada e despacharam o Detroit Pistons por 114 a 103.
O resultado marcou a 18ª vitória consecutiva da equipe, estabelecendo um novo recorde absoluto para a franquia do Arizona. É um feito gigante que os consolida como um dos favoritos máximos ao título, mesmo que o recorde intocável do Los Angeles Lakers de 1971/72 (com 33 triunfos seguidos) ainda pareça um horizonte distante.
Resultados da Rodada (Quinta-feira):
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Toronto Raptors 97 x 93 Milwaukee Bucks
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New York Knicks 115 x 119 Chicago Bulls
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Memphis Grizzlies 152 x 79 Oklahoma City Thunder
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San Antonio Spurs 114 x 83 Portland Trail Blazers
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Detroit Pistons 103 x 114 Phoenix Suns
Próximos Confrontos (Sexta-feira):
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Miami Heat x Indiana Pacers
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Cleveland Cavaliers x Washington Wizards
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Philadelphia 76ers x Atlanta Hawks
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Minnesota Timberwolves x Brooklyn Nets
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Orlando Magic x Houston Rockets
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New Orleans Pelicans x Dallas Mavericks
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Boston Celtics x Utah Jazz




