Gemma Dryburgh não poderia ter pedido um presente de aniversário melhor. Completando 33 anos nesta quinta-feira, a escocesa e sua parceira, a dinamarquesa Nicole Broch Estrup, entregaram um cartão de 67 tacadas (3 abaixo do par) e dividem a liderança da primeira rodada do Dow Championship, no Midland Country Club. O único torneio em duplas do calendário do LPGA já começou mostrando que o formato traz uma dinâmica bem particular para o campo.
Mas elas não estão sozinhas lá no alto. O topo da tabela amanheceu congestionado com outras duas parcerias que também fecharam o dia com -3: a dupla de novatas formada por Camille Boyd e a chinesa Michelle Zhang, além de Gurleen Kaur e a australiana Hira Naveed. A rodada de abertura foi jogada no formato foursomes — as famosas tacadas alternadas —, que costuma ser o estilo mais cruel e punitivo de jogo em equipe. O alívio vem na sexta-feira com o four-ball (melhor bola), dinâmica que se repetirá no domingo. Sábado, após o corte que definirá as 33 melhores duplas, as sobreviventes encaram os foursomes novamente.
O que chama atenção no desempenho de Dryburgh e Broch Estrup não foram apenas os cinco birdies anotados, mas a leveza com que as duas encararam o percurso. Elas até deram uma tropeçada com bogeys seguidos nos buracos 2 e 3, depois de abrirem a segunda metade do campo com três birdies, mas nada que abalasse a confiança. O segredo aparentemente foi a maternidade. Dryburgh contou que o papo durante a volta girou quase todo em torno dos filhos. Broch Estrup complementou dizendo que ser mãe dá uma perspectiva totalmente diferente para a vida e que a semana é, acima de tudo, para se divertir. Jogar ao lado de outra mãe tirou o peso da competição; foi um golfe solto e sem estresse.
Do outro lado, o sangue novo do circuito tenta o mesmo tipo de blindagem mental. Zhang, de 21 anos, e Boyd, de 23, ainda buscam a primeira vitória no LPGA. A temporada não tem sido das mais brilhantes para elas até aqui, e o nervosismo é presença garantida. Mas a dinâmica de duplas ajuda a segurar a barra. Zhang resumiu bem o sentimento de ter uma rede de apoio em um esporte tão solitário: se você bate um tiro ruim, tá tudo bem, você sabe que a parceira segura a onda.
Essa química também guiou Kaur e Naveed, que entraram no tour agora em 2024 e compartilham a mesma fome do primeiro troféu. Elas dividiram a responsabilidade de forma cirúrgica na estratégia: Kaur batia do tee nos buracos ímpares, Naveed assumia nos pares. Naveed fez questão de exaltar que a parceira meteu uns putts absurdos ao longo do dia, provando que é sobre isso: ter intimidade suficiente para puxar a outra para cima quando o jogo não encaixa.
Logo atrás das líderes, um pelotão perigoso de nove times respira no cangote marcando 2 abaixo do par (68). Ali no meio estão as gêmeas japonesas Chizzy e Aki Iwai, a forte dupla sueca Linn Grant e Maja Stark, e uma parceria que merece lupa: a irlandesa Leona Maguire e Lindy Duncan. Maguire é quase um bicho-papão de torneio em equipe, com muita bagagem de Solheim Cup, e quer desesperadamente acabar com um jejum de vitórias que já beira os dois anos. Para ela, sair do moedor de carne que foi o U.S. Open no Riviera Country Club e cair num evento com essa pegada é um respiro, mas o instinto assassino continua aceso para o fim de semana num estilo de golfe completamente diferente.
E não dá para falar dessa rodada sem aplaudir Juli Inkster. Aos 65 anos e com o nome cravado no Hall da Fama, a veterana se juntou a Angel Yin e estreou marcando 1 abaixo do par (69). Inkster está vivíssima na briga e muito bem posicionada para bater o recorde e se tornar a jogadora mais velha a passar o corte em um evento do circuito.




